12.11.15

O novo hábito

Ele não estava feliz e não aceitava mais continuar desse jeito. Formal demais, trabalhador demais, obcecado demais. Não era possível ser a mesma pessoa e ainda assim ser uma pessoa.

Decidiu mudar de hábitos.

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E com um pequeno novo hábito, se permitiu viver e experimentar coisas que nunca tinha imaginado.

Como podia um novo hábito mudar tanto uma pessoa?

Pois ele mudou. Se desprendeu dos bens materiais.

Vendeu a televisão, depois o carro. Depois já não tinha quase nada. 

Não precisava de muito para viver - era um homem com um novo hábito.

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Caminhava pela cidade toda, não importava o horário.

Era como se tivesse muito mais coragem do que antes.

Seu corpo também mudou: perdeu peso, afinou o rosto.

Deixou a barba crescer. Até o sorriso estava diferente.

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Tinha muito mais energia! Era como se algo lhe dinamizasse e lhe desse coragem na vida.

Aprendeu a não deixar nada engasgado. Pedia o que queria sem vergonha nenhuma. Começou a se impôr, até se meteu em algumas brigas.

Se gostavam dele ou não? Isso não importava mais.

Perdeu o preconceito social. Fez novos amigos que seriam impensáveis na sua vida anterior.

Como um Jesus moderno, andava com todos os tipos de pessoas.

Parou de frequentar lugares importantes. Qualquer rua era capaz de fazê-lo encontrar prazer.

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Viu que aquilo que precisava na vida era muito barato.

Seu novo hábito lhe deixava feliz. E como era bom ser feliz!

E ele queria mais e mais daquilo. A vida não estava mais vazia. Estava cheia de prazer.

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Tudo isso por causa de um pequeno novo hábito: fumar crack.

Que bênção!

Suicídio e graça

Morro de inveja de quem sabe contar uma boa piada. Eu sou pior do que uma pessoa que não é engraçada: eu sou uma pessoa que tenta ser engr...