26.12.11

Alargadores


Perdi a conta das vezes que minha boca escorreu sangue depois de escovar os dentes. Todos os sorrisos que me obrigo a dar para cada um dos clientes que cumprimento a cada dia nesse meu emprego dos infernos se descontam com passadas cada vez mais vorazes da escova média sobre a minha gengiva.

Meu hálito fica uma mistura de menta e sangue A+, mas pelo menos a raiva arranja um jeito de ir embora e, de quebra, lava a falsidade dos meus sorrisos.


“Tira esse negócio da cara, Flávio, pelo menos enquanto eu estiver na sua casa, por favor.”

Palavras ditas com tanto pânico pelo meu primo que eu não posso deixar de conferir se o que eu tenho na orelha é um alargador ou uma faca com um olho na ponta. Não entendo como uma criança de doze anos de idade se deixa levar tão fácil pelo pensamento medíocre da sua família.

(Me sinto mal chamando minha família de medíocre. São pessoas especiais e que eu amo muito, mas que escolheram a mediocridade de uma religião absurda para confinar suas vidas.)

No olhar do meu primo eu fui capaz de ver toda a pressão pela qual eu passei quando fui, também, uma testemunha de Jeová.


Eu mal tinha batido a idade pra ser considerado adolescente. Meu irmão me chama no quarto e pergunta se fui eu que salvei uma foto de um homem nu no computador.

Eram outros tempos, a internet era lenta – valia mais a pena salvar uma foto quando ela carregava do que procurá-la novamente mais tarde. Vídeos, nem pensar. Eram tempos mais românticos, você criava uma relação especial com cada uma das imagens pornográficas que tinha.

Era uma pasta com mais ou menos uns quinze namorados imaginários, desfilando suas pirocas na galeria de imagens do computador. Pasta oculta, claro.

Não sei porque salvei aquela foto na pasta errada. Talvez eu quisesse ser descoberto.

Lembro da foto como se a tivesse visto hoje: Um homem, negro, de meias brancas, uma perna tocando o chão e a outra com o joelho dobrado, oferecendo o seu mastro marrom e usando um gorro de Papai Noel.

Mesmo naquela altura da adolescência eu não era ridículo o suficiente por me atrair por uma imagem dessas. Provavelmente salvei o arquivo simplesmente porque a conexão discada me permitiu abrí-lo.

“Sim, fui eu” - confessei ao meu irmão, já com lágrimas nos olhos, “Foi Jeová que te fez ver isso, foi Jeová!”.

Chorei e implorei perdão pela minha alma suja durante toda aquela noite – torcendo para que meu irmão não contasse nada aos meus pais.


Provavelmente eu tinha, à época, a mesma idade que meu primo tem hoje quando olha para meu alargador e se ofende profundamente.


A mãe dele, uma das pessoas que eu mais gosto no mundo - mesmo que só por me identificar com a completa inadequação ao resto da família – já foi expulsa da igreja, algum tempo atrás. Por ter se divorciado do marido, foi o maior escândalo, e ainda descobrir que estava grávida, depois.

Expulsa das testemunhas de Jeová, expulsa da casa dos pais, encontrou o apoio do meu pai, que lhe deu um quarto em nossa casa e um emprego. Eu devia ter uns cinco anos.

Lembro de pedir todos os dias para que minha tia me levasse para a casa dos meus avós. Ela me levava, eu lembro bem de suas mãos tremendo enquanto caminhávamos, e enquanto eu brincava com as panelas da minha avó ela chorava na sala ao lado, enquanto escutava dos meus avós o tamanho da decepção que ela era para a família.


Pouco depois, ela voltou para o ex-marido, teve um outro filho tão encantador quanto o primeiro, e deixou de ser uma decepção tão grande.

Claro que engordou uns trinta quilos na jogada.


E se eu for raciocinar com ela que meu alargador é só a ponta do iceberg, só um furo que eu estuprei em mim pra simbolizar o quanto eu alarguei o meu pensamento, eu provavelmente vou escutar uma resposta pronta sobre como ela saiu, viu o mundo fora da igreja e voltou.


Minhas gengivas ainda estão escorrendo sangue.

Meu primo, que eu peguei no colo enquanto o resto da família fazia sua mãe chorar, virou um deles – um apontador de dedo, um jogador de pedras disfarçadas de amor. Um carneirinho amedrontado pela perspectiva da destruição eterna.


Ainda assim, me dá uma felicidade tão grande vê-lo.

Ver toda a minha família, na verdade. Eles podem sentir horror de tudo o que represento, mas ainda são minha família. E é meu dever ser exatamente tudo o que realmente sou quando estou na presença deles.

Não vale à pena disfarçar o que sou só para ganhar um pouco de aprovação e afeto. Seria a mesma coisa que, aos doze anos, falar que o homem pelado com um gorro de Papai Noel apareceu no computador por engano. Por culpa de um vírus.

Hoje eu entendo o porquê de, mesmo chorando, minha tia me levar todos os dias para brincar na casa de minha avó. Nem sempre uma ovelha negra é uma ovelha desgarrada. Isso, suponho, é amor.

21.12.11

Madrugadas


Nos momentos mais solitários e interessantes da vida, me vi obrigado a me entender com as madrugadas. Apenas um insone tem real noção do que é a eternidade.

Os dias, por mais monótonos que sejam, sempre tem algo que os diferenciem. Pode ser uma nuvem a mais no céu, um calor despropositado em pleno junho ou um carro que bate num hidrante e espalha água pela vizinhança, mas alguma coisa sempre distingue um dia do outro.

As madrugadas, não.

A temperatura, por mais que varie, nunca vai ser tão influente como o clima que só as madrugadas sabem ter. As horas – que na madrugada são consideravelmetne mais longas – passam com um ritmo de pêndulo em slow motion. O tempo vai e volta. Quanto maior a indisposição para o sono, mais lenta a noite.

Mais o corpo se inquieta querendo correr. Se a cabeça se engana e pensa que pode dormir, os joelhos resolvem pedalar e o oásis de sono chegando vai embora.

Um céu nublado não deixa a madrugada mais escura. No máximo, colore o teto do mundo de cinza.

Setenta e nove por cento da escrita humana foi desenvolvida durante a madrugada.

Não é por saudade da mãe que os bebês choram à noite. É por falta de saber lidar com a madrugada. (No útero é sempre noite, mas o bebê não consegue lidar com o fato de que a madrugada acaba. No fundo, ele sabe que o correto seria não acabar).

Crianças cuja concepção ocorreu de madrugada tem mais caráter.

Quem nunca sofreu de insônia prefere cachorros. Quem tem gato, tem madrugada na vida. O gato é a madrugada em forma de bicho.

Numa madrugada produtiva, um ser humano é incapaz de diferenciar se está em 2010 ou em 1958.

As dores de crescimento acontecem de madrugada. As lágrimas por amores que se vão. O gozo pelo amor que fica. O sonho do que ainda está para voltar.

O dia é para o trabalho. A madrugada é para a filosofia. Deus ajuda quem vive a madruga.

O dia é coletivo. A noite é para o casal. A madrugada, por sua vez, é uma experiência absolutamente solitária.

Os dias passam rápido, as madrugadas não passam jamais.

A manhã, quando chega, é a tristeza do insone. É como um maratonista que corre na direção oposta da linha de chegada.

A luz do sol que me perdoe, mas a madrugada é essencial.


E, como diria o Sinatra,


In the wee small hours of the morning
Is the time you miss her most of all.

18.12.11

Timidez

Nascer tímido não é, necessariamente, morrer tímido. Tímido seria provavelmente a última palavra que algum amigo meu usaria para me descrever.

Mesmo assim, eu procuro ter alguma privacidade. Algumas coisas privadas, nada realmente secreto. 

O problema é quando você descobre que entrou num bate-papo de internet depois de brigar com o namorado, adicionou algumas pessoas no MSN (nunca mais tinha usado, mas minha mãe frequenta) e que agora todos seus amigos vêem "Flávio Voight adicionou NEGÃO_SARADO_QUER" nas suas atualizações. 

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O parágrafo anterior foi uma briga entre a primeira e a terceira pessoa, não foi? Na terapia, eu costumo falar "A gente faz" pra tudo que provavelmente só eu faço no mundo. 

Aliás, foi a terapia que me fez escrever esse texto e atualizar esse blog depois de tanto tempo. Não dá pra ficar dois anos fazendo análise e falando que se sente bem quando escreve e... não escrever nunca. 

Eu escrevia mais quando ouvia menos música. Escrevia pra aliviar os pensamentos bobos que nunca iam embora. Comecei a ouvir mais música pra me distrair e acabei passando 20 horas por dia com um fone-de-ouvido na orelha, um Asperger adquirido e a audição cagada. Parei de pensar e não escrevi mais.

Obrigado, Lady Gaga, por ajudar a literatura mundial.

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Falando em terapia, eu estudo psicologia. 

Estranho que esse é o meu blog e eu provavelmente nunca mencionei isso - talvez mencionasse se me dedicasse a atualizar mais de uma vez entre uma passagem do Halley e outra. 

Agora pensa, eu arranjo um paciente um dia e ele procura meu nome no Google - que, até eu arranjar o paciente, já vai ter sido substituído por algum outro sistema de busca com menos jeito de yuppie-com-calças-até-o-umbigo. 

Em vez de encontrar referências de um bom profissional, ele fica sabendo da minha amizade com o NEGÃO_SARADO_QUER. 

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Sabe aquelas fotos que ficam expostas por mais tempo do que o necessário, e fazem uma rua parecer com uma grande faixa colorida cheia de carros passando?



Então.

Eu sou assim. Não funciono sem super-exposição. Espero que meu namorado me perdoe. 

2.9.11

Chucrute

Entrar para uma nova família não é tarefa fácil. Um sogro a conquistar, uma sogra a conquistar. Um sobrinho a fazer parar de vomitar na sua perna. Lógico, você desenvolve artifícios: um presente para o sogro, um elogio para a sogra, um empurrão discreto no sobrinho... E há ocasiões que podem facilitar o acesso à família da sua noiva (lembre-se: nesse momento você ainda tem vontade de entrar para a família, sem saber de onde está se metendo).

Ethel e Ervin, no entanto, eram os sogros perfeitos. Mantinham-se bêbados a maior parte do tempo, para disfarçar a surdez que já não era tão parcial assim. Mesmo quando ouviam, não entendiam muito bem o português - que chegaram a falar bem, antes da aposentadoria. Você dizia "bom dia", Ervin respondia "Opa!" e ria. Você dizia "Adorei o chucrute, Ethel" e recebia "Ah!" e uma gargalhada como resposta.

Hugo já tinha passado dois natais com a família da noiva. Ficou surpreso de passar tanto tempo sem nenhuma ameaça de morte caso o casamento não viesse logo. Era a família perfeita. Até a cunhada era boa gente. Não tinha bom papo, mas ficava quieta e sorria - até que arranjou um namorado.

Na estratégia de Hugo, isso era ótimo. No mínimo, um aliado. Quem sabe, um amigo. Um outro abençoado para dividir a família perfeita, uma pessoa a mais na mesa do Natal. Um bêbado a mais, um que pelo menos teria papo além de soltar pum e rir alto durante a ceia.

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Era noite de Natal. O cunhado apareceu com flores para Ethel, que ficou maravilhada. "Por que eu nunca pensei nisso antes, pôxa?", pensou Hugo. Mancada. Ethel sorriu e disse "Que genro lindo que eu fui arranjar!".

Pânico. Ethel... falava? Bom, era um evento raro naquela família, mas acontece. Fazer o quê? O elogio era mérito do cunhado - mas tudo bem, mais hora ou menos hora ele também daria uma mancada e ficariam elas por elas.

O cunhado tirou uma faca enorme da mochila e foi em direção ao sogro. "Agora fodeu", pensou Hugo, "que bom.".

Ervin ergueu as mãos para o céu, fez cara de surpresa no rosto gordo e careca (ele conseguia ser gordo até na careca, como todo bom alemão de idade) e ninguém entendeu sua alegria.

"Uma kornkepffelhanger! Uma kornkepffelhanger! A faca perfeita para sohn töten ärgerlich!"

Foi o maior porre de noite de natal na vida de Hugo.

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Foram dez anos de natais perdidos. Hugo nunca mais teve coragem de olhar para a cara dos sogros. Ele era o pior genro da face da Terra. Tudo culpa daquele cunhado maldito.

A noiva (que já tinha até virado esposa, convencida de que a ideia de casar em Paris só com a presença do Hugo era só romantismo e não pânico de encontrar os sogros) insistia todos os natais. "Que é isso, amor... Mágoa boba. Leva uma faca você também!".

Hugo sabia que não encontraria a faca certa. Chegou até a ir a um psicólogo para se tratar - quem sabe fosse loucura mesmo, quem sabe os sogros não o odiassem. Quem sabe, depois de tanto tempo, eles odiassem mesmo era o cunhado. Quem sabe a faca tivesse perdido o fio.

Foram dois anos de terapia. Era outubro e Hugo já tremia de ansiedade. No próximo natal, visitaria os sogros. Essa mágoa ia acabar.

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Ethel colocou neve de mentirinha (na verdade, isopor raspado até formar bolinhas) em todo o teto da casa (na primeira chuva, o isopor entupiu todos os bueiros da vizinhança). A casa nunca pareceu tão aconchegante.

Hugo entrou, cumprimentou os sogros. "Aop!", disse Ervin, e riu. "Oi!", disse Ethel, e riu, somente para ser interrompida pela entrada do outro genro.

"Seu Ervin!" - maldito cunhado - "Olha aqui, outra kornkepffelhanger pro senhor!".

Não deu nem tempo de Ervin falar que adorou e que tinha o melhor genro do mundo. Hugo pulou no pescoço do cunhado e apertou até que o mal estivesse feito. Um cunhado a menos no mundo.

"Opa!", disse Ethel, e gargalhou.

1.9.11

Xerox

A camisa do Vasco da Gama chacoalhava na janela, presa por dois grampos num varal improvisado (preso entre uma porta fechada de guarda-roupa e o vãozinho da grade do berço). O bebê assistia o vaivém da camisa sem entender direito se aquilo era um urubu indeciso entre entrar e sair pela janela ou se era a noite oscilando com o dia - mas sabia que aquilo ia marcar sua vida para sempre.

O pai era torcedor. Não me pergunte da confusão que aconteceu na cabeça da criança quando, aos seis meses, foi jogado para cima pelo pai num grito de gol, em pleno estádio de futebol. Sorte (do bebê e do pai) que caiu novamente nos braços paternos, aliviando a culpa do pai, que olhou para a esposa furiosa com cara de "Olha, que coordenação motora que eu tenho!".

Os meses sem sexo (entre marido e esposa, não entre pai e filho) decorrentes da cena não foram penalidade suficiente para apagar a alegria do o primeiro gol comemorado entre os dois (pai e filho, não marido e esposa). Comemoração do pai, um grito e um pulo. Do filho, um berro e uma chupeta perdida.

A partir de então, era Vasco da Gama para toda a família.

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As coisas acontecem mais ou menos assim:
A gente nasce mudo (de palavras, não de barulho. Em barulho a gente já nasce fluente) e vai copiando tudo o que os pais falam, balbuciando e errando igualzinho, palavra por palavra, até que a fotocópia fique completa.

Depois, não satisfeitos em falar só as palavras que nossos pais falam, a gente começa a andar com passos iguais ("Olha lá, ele é tortinho pra esquerda igual o pai! Vai ser comuna!") e a ter as mesmas reações diante da vida ("Essa Coca é minha, filha da puta", que eu realmente ouvi um menino de uns três anos falar pra mãe, o que me fez pensar que o menino era filho de um pai viciado em Coca, espero que da Cola).

Aí, quando a gente cresce e fica puto da cara com o espelho porque ele mostra o rosto do nosso pai no lugar do nosso nosso, e vê que está fodido exatamente da mesma maneira que nosso pai se fodeu (perpetuando um ciclo de fodelança familiar-não-incestuosa), e o jeito é procurar uma maneira de se distrair.

É então que você vai pro estádio torcer pelo Vasco.

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Tá certo que nem sempre a cópia sai muito bem. Talvez o processo de reprodução só se conclua quando o filho passa a beber a mesma cerveja que o pai e a reclamar dessa porra de antena que nunca pega com a mesma voz.

(Aliás, essa ideia de falar que vai reproduzir quando a espécie procria me incomoda um pouco. Porra, não é mais fácil criar uma criança? Tem que reproduzir, igualzinho?)

Quem sabe o processo não seja como o de uma fotocópia, e sim como um carimbo. Você é seu pai, esfregado numa almofada de tinta e pressionado contra uma folha em branco. Igualzinho, mas tudo ao contrário.

Seu pai concorda com isso desde o dia em que tem que te bater porque você gritou "Mengo!".
Te ajeita, carimbão.

13.1.11

A Marca da Noiva

Chupei-lhe o pescoço violentamente, como se estivesse deglutindo um gomo de laranja. Comprometido, sim, eu entendo. Mas minha presença se recusa a acompanhar-lhe apenas pelos momentos em que estamos juntos.

Eu sei que isso vai dar problema. Eu sei que ele vai chegar em casa para encontrar a mulher aos berros, perguntando que marca é essa no seu pescoço, seu traidor. Eu sei que provavelmente isso vai fazer com que ele se desinteresse um pouco por mim, que peça mais discrição na próxima vez... Que ele passe a dar mais atenção para ela, e presentes para ela, e beijos para ela. Gastar seu tempo com ela, nem que seja brigando e arranjando desculpas pela marca que eu deixei.

Tempo que, sem esse chupão, poderia ser meu.

Mas o que é o tempo numa questão dessas? Não é importante. A noiva é importante e amada? É, sem dúvida. Mas esse carimbo de carne vermelha tatuado em seu pescoço serve pra levantar questões. Fala que eu estive ali, que por alguns momentos aquele corpo foi o meu playground. O meu, não o dela.

Dela, ela que não sabe nem brincar direito. Que não escorrega do jeito que eu escorrego, que não trepa-trepa como eu trepo-trepo, que não se balança na gangorra como eu gangorreio.

A marca da noiva está nos anos de vida, nos jantares de família, até na conta bancária. A minha está na pele. A pele é minha. Você pode ter tudo, querida, mas o corpo dele é meu. É em mim que ele pensa. Tá ali a mancha de sangue coagulado em seu pescoço pra não me deixar mentir.

Só não se preocupe, dona Noiva. Minha marca é temporária: semana que vem a mancha desaparece. Ou, quem sabe, amanhã mesmo ele disfarce com um pouco da sua maquiagem ou uma gola mais alta.

Aí ele volta pra cá.

Você não precisa melhorar

"Mas eu vou melhorar isso. Vou me controlar mais." O paciente me solta uma dessas e olha pra mim com uma carinha de quem quer ap...