5.6.07

Sexta-feira, lábios

Dois colegas de quarto, sexta-feira à noite:

- Sair, hoje, topa?
- Hoje não. Preguiça.Vou dormir.
- Dormir? E o caçador em você? E as chances de arranjar a mulher da tua vida? Ou da tua noite, que é melhor ainda?
- Dormir.
- Eu acho que a gente tem de seguir o impulso da vida. Aceitar os impulsos sexuais. Ser um caçador. Seguir pra onde o pinto aponta, sabe?
- É, até concordo. Quer dizer, no meu caso isso significaria andar em círculos para a esquerda...
- Não! No sentido de ir para onde a gente tem possibilidade sexual. Seguir o instinto. Aproveitar todas as oportunidades sexuais da sua vida.
- Pra daqui a vinte anos encontrar uma menina novinha safada, e descobrir que ela é filha de uma mulher que você ficou hoje?
- Com cuidados. Não vai acontecer. E se acontecer eu não vou saber. O que os olhos não vêem...
- O pinto não sente? Ah, vai que escapa? Que acontece e você não sabe? Tem a filha, vinte anos depois acaba indo pra cama?
- O que os olhos não vêem...
- Não venha com provérbios pela metade pra cima de mim! Provérbios já são um saco, quando falam pela metade fica pior ainda.
- É que pra bom entendedor...
- Vou te dar um soco.
- Brigas fazem a gente perder tempo que poderia ser utilizado para o sexo.
- E se você reconhecer a menina?
- Que menina?
- A filha que você teve com uma total estranha e nunca soube.
- Ah. Filha hipotética.
- Você leva a Hipotética para a cama, e reconhece alguma coisa estranha nela.
- Mas eu não vou lembrar que era relativo a mãe.
- Suponhamos que a mãe tenha um detalhe. Os grandes lábios com uma curvatura diferente.
- Ahn?
- Grandes lábios...
- Ahn?
- Na vagina.
- Lábios?
- Na boceta!
- Ah, tá.
- E você reconhece na filha. O que você faz?
- Não dá pra ter certeza.
- Dá sim. Grandes lábios são como impressão digital.
- Os pequenos talvez, mas os grandes?
- Até dez segundos atrás, você nem sabia que boceta tinha lábios. Nem teime.
- Está bem. O que eu faria?
- Exatamente. O que você faria? Viria com “Acho que te conheço de algum lugar”?
- “Você não é filha da Matilde?”
- “Reconheci o sinalzinho na virilha”
- A Matilde tinha sinalzinho na virilha? Perdi todo o tesão nela, agora. E na Hipotética também.
- Um sinalzinho bonito.
- Como é um sinalzinho bonito?
- Esquece. Vamos supor que ela seja filha da Matilde, o que você faria?
- Se a Matilde tivesse sinalzinho na virilha, eu não faria ela. E se tivesse feito, falaria pra Hipotética: “Você têm os grandes lábios da sua mãe”.
- E levaria um tapa.
- Triste.
- Sádico, de leve. Vou dormir.
- Mas você não ia sair?
- Tem chocolate na geladeira.

Cumprimentos

Já existiu um mundo em que, guerras e traições à parte, havia mais honra entre os homens. Havia um código, um sinal universal que garantia a...